O inexplicável conforto da camiseta Pacaembu

10 de abril de 2018

Por Décio Galina

Décio e sua camiseta Pacaembu

A camiseta Pacaembu – com a data da conquista da Libertadores (04.07.2012) na frente e o número do Sheik (11) nas costas – é dessas roupas que trazem um conforto ao vestir difícil de explicar. Sem entrar no mérito da boa malha, o fato é que relembrar esse degrau fundamental para a conquista do Mundial sempre transforma o uso cotidiano da peça em um momento especial.

Mesmo se o Sheik jamais voltasse a jogar no Timão, ele sempre seria o tipo de cara bem-vindo para almoçar em casa num domingo sem aviso prévio. Mas, no início de 2018, com o retorno do craque de 39 anos para o Corinthians, a camiseta em questão ganhou novos tons: Sheik fez um golaço aos 43 minutos do segundo tempo contra o Mirassol e, uma semana depois, voltou a irritar a garganta do corintiano de tanto berrar no gol que abriu o placar contra o retrancado Deportivo Lara, pela Libertadores – tabelou com Romero e subiu de cabeça para marcar de fora da pequena área como se tivesse 20 anos.

Tudo isso para dizer que no domingo, na final do Paulistão, antes de pegar o ônibus em São Paulo rumo a Caldas Novas (GO), onde acompanho um grupo de Turismo Social do Sesc-SP, resolvi vestir a camiseta Pacaembu. Sabia que o rival da Pompeia era favorito ao título graças ao esquadrão que montou; pela vitória na primeira partida da decisão do Estadual e por decidir em casa.

Sabia também que seria improvável ver a partida nos cafundós da divisa de Minas e Goiás. Pelo celular, ainda deu para acompanhar o gol do Rodriguinho, no início do jogo. Depois, puf… o sinal sumiu e só deu o ar da graça justamente na cobrança dos três últimos pênaltis.

O ônibus estava em silêncio, atento às explicações do guia Robson sobre as águas termais que brotam na região, quando Maycon guardou o dele e correu para a festa. “Corinthians bicampeão!”, gritei, logo me jogando no banco da frente, como se estivesse em Itaquera, para abraçar uma senhora de cabelos brancos de algodão que já havia demonstrado curiosidade pela estampa da minha camiseta.

Robson teve que esperar um pouco a sequência de reações que se instalou no ônibus, mas logo estávamos de novo em silêncio, ouvindo as explicações, de olho num fim de tarde lindo, com fiapos de nuvens horizontais pintadas de cinza e vermelho. Viagem puxada, 750 quilômetros, 13 horas de estrada e eu bem confortável, com a Pacaembu pronta para esticar até o Jalapão, caso fosse preciso.

***

Quer saber mais sobre a camiseta Pacaembu, esta aí de baixo? É só clicar aqui.  ; )