Santos tem trajetória grandiosa na Libertadores

3 de março de 2020

O Santos, de Pelé, campeão da Libertadores pela primeira vez, em 1962.

Por Valdomiro Neto

 

Primeiro clube brasileiro a erguer a taça da Copa Libertadores, em 1962, o Santos é um
íntimo do torneio continental. Ao se contar a história da sexagenária competição, o clube
alvinegro encabeçará capítulos lendários. Uma trajetória de glórias cerzida por ídolos como
Pelé, Pepe, Coutinho, Neymar e Léo, adversários de camisa pesada e estádios míticos. No
futebol, os fatos grandiosos se impõem.

Na conquista do bicampeonato (62-63), o Santos ombreou-se ao Peñarol, campeão das
duas primeiras edições. No primeiro título, superou os próprios uruguaios com um enredo
homérico. Ao vencer o jogo de ida com dois gols de Coutinho, no Centenário, em
Montevidéu, abriu vantagem expressiva para comemorar em casa. Na Vila Belmiro, porém,
foi derrotado por 3 a 2 em um confronto turbulento, encerrado pelo árbitro antes do fim do
tempo regulamentar.

Nas duas partidas, a equipe atuou sem Pelé. A linha ofensiva teve Dorval, Mengálvio,
Pagão, Coutinho e Pepe. Quis o caprichoso destino que houvesse um jogo-desempate, no
Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. O Rei voltou e, de cetro e coroa, fez dois gols nos
3 a 0 sobre o time comandado pelo húngaro Bélla Guttmann.

No ano seguinte, o segundo título foi festejado em um dos palcos mais míticos da América
do Sul. O Santos venceu o Boca Junior por 2 a 1 com gols de Coutinho e Pelé, cometendo
a façanha de ser campeão estrangeiro na Bombonera. Épico é pouco!

Nos dourados anos 60, o Santos fazia muitas excursões, como um globetrotter do futebol.
Após mais duas participações (64 e 65), o clube abriu mão de disputar três edições da
Libertadores para seguir viajando pela Europa.

No século XX, o Peixe só esteve mais uma vez na competição, em 1984. Foi a pior
campanha da história do clube no torneio internacional e não merece menção nestas mal
traçadas linhas. Até porque o início do século XXI viria a recolocar o Santos na ribalta
continental.

Em 2003, com a nova geração de Meninos da Vila que encerrou a fila de grandes títulos no
Brasileiro do ano anterior, o tricampeonato bateu na trave. Diego, Robinho e cia.
esbarraram no Boca Juniors na decisão, triscando na repetição do feito de 63. Dali, o clube
foi empilhando participações em série: caiu nas quartas em 2004, 2005 e 2008, e nas
semifinais em 2007.

Em 2011, enfim, veio o retorno ao topo, como um rearranjo dos tempos. Com nova leva de
craques feitos em casa (Rafael, Neymar e Ganso) e os ídolos Léo e Elano, remanescentes
do vice de 2003, o flerte foi fatal. Quis o caprichoso destino (ele, de novo!) que a
reconciliação histórica acontecesse contra o rival do princípio de tudo, o Peñarol. E em um
estádio que serve de casa paulistana do clube litorâneo: o Pacaembu. O ingrediente que
faltava.

De lá para cá, foram mais quatro participações, sempre avançando aos mata-matas. Este
2020 marca a 15ª edição com a presença do Santos. Os três títulos, um vice-campeonato,
as duas semifinais e os episódios épicos fazem jus a um verso do hino oficial do Alvinegro
Praiano: “Um passado e um presente só de glórias”.
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Valdomiro Neto, jornalista, trabalhou por 12 anos no LANCE!